Exercício Aeróbico Reforça Imunidade Contra o Câncer

Pessoa praticando exercício aeróbico para melhorar a imunidade contra o câncer

Um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) investiga como o exercício aeróbico pode aprimorar a resposta imunológica contra o câncer e auxiliar na redução do crescimento de tumores. A pesquisa, que foi realizada com camundongos, revelou que a combinação de atividade física com o bloqueio de receptores do sistema nervoso simpático pode gerar resultados mais significativos na diminuição dos tumores.

O Papel do Exercício na Imunidade Antitumoral

A pesquisa, liderada pela professora Janaina da Silva Vieira, do Departamento de Biodinâmica do Movimento Humano da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, revela que a prática regular de exercícios físicos pode melhorar a capacidade do sistema imunológico de combater o câncer. Segundo Janaina, “o nosso sistema imune é projetado para eliminar células que se desenvolvem de maneira anômala. Contudo, os tumores encontram maneiras de se esconder do sistema imune, um fenômeno conhecido como evasão imune. Nosso objetivo é reverter essa situação, e o exercício físico pode potencializar a resposta antitumoral.”

Investigação sobre o Sistema Nervoso Simpático

O estudo se debruçou sobre o funcionamento do sistema nervoso simpático, que é responsável pelas reações de “luta ou fuga” e a sua influência sobre a resposta imunológica no combate ao câncer. Os pesquisadores analisaram os receptores adrenérgicos, que recebem sinais de substâncias como adrenalina e noradrenalina. A hipótese inicial era que a ativação prolongada desses receptores poderia prejudicar a resposta do sistema imune, favorecendo o desenvolvimento de tumores.

Janaina esclarece que “a ativação aguda do sistema nervoso simpático pode ter efeitos positivos sobre a imunidade, mas a ativação prolongada pode levar à supressão da resposta imunológica, como já constatado em outras condições patológicas.”

Resultados Promissores com a Combinação de Tratamentos

Na fase seguinte do estudo, os pesquisadores avaliaram a eficácia da associação entre o exercício físico e o bloqueio dos receptores adrenérgicos em camundongos. Os resultados mostraram que os animais que se submeteram ao treinamento físico apresentaram um volume tumoral significativamente menor. Além disso, quando a atividade física foi combinada com o uso de medicamentos que bloqueiam o sistema nervoso simpático, a redução do tumor foi ainda mais pronunciada.

O estudo também indicou um aumento nas células T, que são cruciais para a identificação e eliminação de células tumorais. “A combinação do exercício físico com o bloqueio do sistema nervoso simpático resultou em tumores menores e um aumento das células T, que são fundamentais na luta contra o câncer,” destaca Janaina.

Por outro lado, os camundongos que receberam apenas o medicamento, sem a prática de exercícios, não apresentaram a mesma eficácia na resposta imunológica.

Implicações para o Tratamento de Câncer em Humanos

Os fármacos utilizados nos experimentos são já prescritos para humanos, especialmente no tratamento de doenças cardiovasculares. Isso abre portas para novas investigações sobre o uso off-label, que é a utilização de medicamentos para finalidades diferentes daquelas para as quais foram aprovados. No entanto, Janaina enfatiza que mais estudos são necessários antes de aplicar essa estratégia em pacientes com câncer.

Importância da Atividade Física Durante o Tratamento Oncológico

Além dos resultados laboratoriais, Janaina Vieira ressalta a importância de oferecer opções de acompanhamento físico para pacientes com câncer. Em Sorocaba, um estudo coordenado pela professora Telma Cunha proporciona treinamento aeróbico e de força para pacientes em tratamento de quimioterapia. As atividades são adaptadas às condições e limitações de cada paciente e supervisionadas por profissionais capacitados.

Essa iniciativa destaca que a atividade física pode trazer benefícios mesmo durante o tratamento oncológico, desde que realizada de maneira orientada e adequada às necessidades individuais.

Conclusão

O estudo da USP abre novas perspectivas sobre como a atividade física pode ser uma aliada no combate ao câncer, reforçando a importância da pesquisa nessa área. À medida que mais evidências surgem, torna-se essencial considerar a integração de programas de exercícios no tratamento oncológico, proporcionando uma abordagem mais holística e eficaz para os pacientes.


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